Maria Inês Ferreira

não existe tempo, só espaço

Uma palavra de Strasbourg – por Joana Ferreira

Publicado por Inês em Kaos em Março 18, 2008

UMA PALAVRA DE ESTRASBURGO…

Questões Humanitárias

Joana Ferreira

Já todos ouvimos falar da Capital da Europa… Também se sabe que aqui estão situadas as Instituições Europeias… Mas o que talvez ainda não se conheça em Estrasburgo, a cidade do Tribunal dos Direitos Humanos, do Parlamento Europeu, do Conselho da Europa, é a quantidade de pessoas que, por escolha pessoal ou por razões de força maior que a sua vontade, têm como céu as estrelas, sorriem em troco de uma moeda, têm os cisnes como companhia e conhecem os cantos mais remotos como as palmas das suas velhas (e jovens!) mãos… Referimo-me a pessoas humanas que habitam nas ruas deste museu historico que é a cidade de Estrasburgo. Em francês, les sans-abri.

Muitos são saltimbancos e dão vida e cor às praças antigas! Gosto de ver o lado positivo de tudo. Normalmente fazem-se acompanhar (ou acompanham!) os seus amigos caninos e não fazem mal a ninguém. A maioria são jovens e foi isso o que mais me chocou visto que aqui em França os apoios sociais aos estudantes são bastante acessiveis (se não vejamos: o Estado Francês financia a minha estadia e a bolsa portuguesa ainda não chegou…). Quanto aos mais velhos, não creio que seja pela ânsia de experimentar o mundo que vivam consoante as estações do ano… ja são conhecidos e guardam os seus lugares como estatuas humanas. Tenho a certeza que as mereciam! Amanhã sei que eles la estarão, no sitio do costume – Bonjour!, digo eu na esperança de lhes aquecer a alma (e esperando que a meteorologia seja generosa). Imaginem comigo as suas longas historias de vida… mas sei que não conseguimos imaginar as suas noites. Este frio congelador infelizmente não os poupa e so este ano ja subiu para três o número de Sans Domicile Fixe falecidos em França.

Evidentemente que as associações existem e varias sao as campanhas em marcha. A associação Les Enfants de Don Quichotte luta contra as situações desumanas dos que estão vulneraveis às forças da natureza visando proteger os mais necessitados – uma das suas grandes acções são os acampamentos de tendas nos locais publicos e, na época natalicia, a operação Pour que personne ne passe le Noël dehors abrigou cerca de 30 sem-abrigo na Catedral de Estrasburgo! Também em Paris as manifestações se fazem sentir e em Fevereiro milhares de pessoas e 28 associações se juntaram numa noite solidaria com os que vivem ao relento. Todas as iniciativas são de louvar mas parencem-me insuficientes (como em todas as cidades do Mundo!) e o panorama humanitario continua muito aquém do desenvolvimento que este ponto de encontro europeu transmite!

A titulo de curiosidade, as eleições municipais de Estrasburgo estão à porta e é visivel um grande movimento social, nomeadamente pelo facto do Presidente de Les Enfants de Don Quichotte ser um dos candidatos – propondo uma verdadeira politique de mixité sociale.

Confesso que sinto uma enorme revolta ao ver reflexo deste cenario nos edificios brilhantes e grandiosos das Instituições Europeias mas continuo a acreditar que o caminho da igualdade, mesmo que lento, esta a ser traçado e que tem a esperança e luta de todos cidadãos do mundo…

2 Respostas para “Uma palavra de Strasbourg – por Joana Ferreira”

  1. :) ainda bem que partilhas Joana, não resisti a por a tua carta no meu blog.

  2. Joana disse

    Uau é uma honra pertencer ao teu cosmos… e as vezes ao caos hihi amo ser tua irmã!!!

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